quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Benito Mussolini

Político italiano (29/7/1883-28/4/1945). Nasce em Dovia di Predappio, filho de um ferreiro socialista e de uma professora primária. É expulso duas vezes da escola por mau comportamento, mas consegue completar os estudos e torna-se professor primário em 1902. Na juventude envolve-se com movimentos esquerdistas e trabalha como editor dos jornais de esquerda A Luta de Classes (Forlì, 1910) e Avanti! (Roma, 1911 a 1914), órgão oficial do Partido Socialista Italiano, do qual se torna um dos cabeças.
Quando a Itália entra na I Guerra Mundial em 1914, Mussolini mostra-se favorável à decisão, contrariando a deliberação do partido, e por isso é expulso. Serve na guerra como soldado e volta à vida civil com idéias anti-socialistas.

Em Milão, funda em 1919 um movimento nacionalista chamado Fascio de Combatimento, que depois evoluiria para o fascismo. Em 1922, com seus seguidores, os "camisas negras", organiza a Marcha sobre Roma, demostração de força que origina um convite do rei Vitório Emmanuele III para encabeçar um novo governo. Como primeiro-ministro, controla o sistema sindical, proíbe greves e persegue a imprensa livre.

Em 1929 estabelece um regime de partido único. Em 1940 alia-se à Alemanha na II Guerra Mundial e sofre várias derrotas militares. Quando os Aliados invadem a Itália em 1943, é derrubado e preso pelos próprios correligionários. Libertado pelos nazistas, em 1945 é recapturado e morto por guerrilheiros italianos. 

Adolfo Hitler

Ditador, cruel e brilhante demagogo, Adolf Hitler foi o responsável pela maior guerra da história. Embora se tenha passado muito tempo desde o dia em que a sua vida e os seus fanáticos sonhos se pereceram sob as ruínas d Berlim, a sua escura sombra ainda se projecta sobre o mundo.

Convencido de que a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial fora provocada pelos judeus e pelos comunistas, Hitler retornou da frente de guerra com a ideia de restaurar a glória do Império alemão. Depois de alguns fracassos, fundou o partido nazista e começou a sua vertiginosa escalada em direcção ao poder, apoiado por um movimento de massas que acreditava cegamente nas promessas de esplendor para o Terceiro Reich: a supremacia da raça ariana e a conquista do mundo.

Nomeado chanceler da Alemanha, em 1933, em poucos anos Hitler muodu o mapa da Europa. Depois que as suas hábeis manobras diplomática renderam todos os seus frutos, o Fuhrer lançou-se ao ataque pelas armas. Em 1942, os seus exércitos tinham conquistado um vasto império que se estendia desde a França até aos monte Urais.

Quando os canhões silenciaram, em 1945, a Alemanha era uma terra devastada e o mundo estava exausto. O delirante sonho de Hitler custara a vida de milhares de soldados ingleses, franceses e até norte-americanos, de 20 milhões de soviéticos e de mais de 6 milhões de judeus.

No decorrer deste trabalho, vou dar a conhecer a pessoa de Adolf Hitler e muitas das coisas que ele fez...

Em Setembro de 1908, um rapaz entrou no magnífico edifício da Academia de Belas-Artes de Viena. Ele sabia que as exigências para ser admitido como alunos eram muito grandes.

O jovem não era um artista mau, como provam as suas pinturas, mas nunca fizera nada de original, demonstrara grande criatividade. Era capaz de fazer desenhos preciosos dos edifícios públicos de Viena. Em 1907, os seus testes haviam sedo considerados muito insatisfatórios, criticados não só por não incluírem suficientes figuras humanas, como também por não retractarem tais figuras nas proporções correctas.

Contudo dissera á sua família, quando estivera na pequena cidade onde vivia a sua mãe viúva, que estudava na Academia. Agora, precisava justificar a sua vinda a Viena.

(...)

Francisco Franco

Militar e estadista espanhol. Estuda na Academia de Infantaria de Toledo e, entre 1912 e 1917, distingue-se nas campanhas bélicas do Marrocos espanhol. Após uma estada de três anos em Oviedo, volta a Marrocos, onde combate às ordens de Valenzuela e de Millán Astray, destacando-se pelo seu valor e frieza no combate. Em 1923, apadrinhado por Afonso XIII, casa-se. Destinado novamente a Marrocos com o grau de tenente-coronel, assume o comando da Legião em 1923 e participa activamente no desembarque de Alhucemas e na reconquista do Protectorado (1925). Aos 34 anos alcança o grau de general de brigada. É, com Sanjurjo, o mais brilhante dos militares chamados africanistas. Entre 1928 e 1931 dirige a Academia Militar de Saragoça.

Quando da implantação da República (1931) é afastado de cargos de responsabilidade (é destacado para os governos militares da Corunha e das Baleares). O triunfo das forças de direita em 1933 fá-lo regressar a altos cargos do exército. Planifica a cruel repressão da Revolução das Astúrias (1934) com tropas da Legião. Quando Gil Robles ocupa o Ministério da Guerra, é nomeado chefe do Estado-Maior Central (1935). Em 1936, o governo da Frente Popular nomeia-o comandante militar das Canárias. Dali mantém contacto com Mola e Sanjurjo, que preparam o levantamento militar.

Em 17 de Julho voa das Canárias até Marrocos, revolta a guarnição e torna-se comandante das tropas. Cruza o estreito de Gibraltar com meios precários (aviões cedidos por Mussolini e Hitler e navios de pouca tonelagem) e avança até Madrid por Mérida, Badajoz e Talavera de la Reina. Apodera-se rapidamente da direcção militar e política da guerra (Setembro de 1936). Em Abril de 1937 une os partidos de direita e coloca-se à frente da nova organização como «caudillo». Em Janeiro de 1938 converte-se em chefe de Estado e do governo. Anos mais tarde diz que apenas presta contas da sua actividade «perante Deus e perante a história». Ao que parece, está convencido de ser o homem escolhido pela divina providência para reger os destinos de Espanha.

Terminada a guerra civil empreende a reconstrução do país. Não só não quer contar com os vencidos para esta tarefa, mas também a repressão e os fuzilamentos se prolongam durante, pelo menos, um lustro. Cria um estado católico, autoritário e corporativo que recebe o nome de «franquismo». Apesar das suas estreitas relações com a Alemanha e a Itália, mantém a neutralidade espanhola durante a Segunda Guerra Mundial. Terminada esta, os vencedores isolam o regime franquista. Contudo, este vai-se consolidando na base da promulgação de novas leis: criação das Cortes (1942), Jurisdição dos Espanhóis (1945), lei do referendo nacional (1945), lei da sucessão na chefia do Estado (1947), etc.

Em 1953 iniciam-se as relações diplomáticas com os Estados Unidos da América e, em 1955, o regime de Franco é reconhecido pela Organização das Nações Unidas. Em 1966 cria uma nova Constituição (Lei Orgânica do Estado) e três anos mais tarde apresenta às Cortes, como sucessor a título de rei, o príncipe Juan Carlos, neto de Afonso XIII. Em Junho de 1973 cede a presidência do governo ao seu mais directo colaborador, Luís Carrero Blanco. A morte deste num atentado, poucos meses depois, é o princípio da decomposição do regime. Franco morre após longa doença num hospital de Madrid.

António de Oliveira de Salazar

António de Oliveira Salazar nasceu em 1889, em Santa Comba Dão, descendente de uma família de pequenos proprietários agrícolas.

A sua educação foi fortemente marcada pelo Catolicismo, chegando mesmo a frequentar um seminário. Mais tarde estudou na Universidade de Coimbra, onde veio a ser docente de Economia Política.

Ainda durante a 1ª República, Salazar iniciou a sua carreira política como deputado católico para o Parlamento Republicano em 1921.

Já em plena Ditadura Militar, Salazar foi nomeado para Ministro das Finanças, cargo que exerceu apenas por quatro dias, devido a não lhe terem sido delegados todos os poderes que exigia. Quando Oscar Carmona chegou a Presidente da República, Salazar regressou à pasta das Finanças, com todas as condições exigidas (supervisionar as despesas de todos os Ministérios do governo).

Apesar da severidade do regime que impôs, publicou em 14 de Maio de 1928 a Reforma Orçamental, contribuindo para que o ano económico de 1928-1929 registasse um saldo positivo, o que lhe granjeou prestígio.

O sucesso obtido na pasta das Finanças tornou-o, em 1932, chefe de governo. Em 1933, com a aprovação da nova Constituição, formou-se o Estado Novo, um regime autoritário semelhante ao fascismo de Benito Mussolini.

As graves perturbações verificadas nos anos 20 e 30 nos países da Europa Ocidental levaram Salazar a adoptar severas medidas repressivas contra os que ousavam discordar da orientação do Estado Novo.

Ao nível das relações internacionais, conseguiu assegurar a neutralidade de Portugal na Guerra Civil de Espanha e na II Guerra Mundial.

O declínio do império salazarista acelerou-se a partir de 1961, a par do surto de emigração e de um crescimento capitalista de díficil controlo. É afastado do governo em 1968 por motivo de doença, sendo substituído por Marcello Caetano. Acabaria por falecer em Lisboa, a 27 de Julho de 1970.

O seu pensamento encontra-se compilado nos "Discursos e Notas Políticas (1935 - 1967)".

José Estaline

Como governante e líder supremo da União Soviética, entre 1929 e 1953, José Estaline esteve sempre ao comando da política Soviética durante a primeira fase da Guerra Fria. Nascido como Iosif Vissarionovich Dzhugashvili em 21 Dezembro de 1879, ele adoptou o nome de Stalin, que significa “homem de aço”, enquanto era ainda um jovem revolucionário muito promissidor.

Estaline primeiro subiu ao poder em 1922 como secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética. Usando a sua experiência administrativa e uma implacável manobração de pessoas e interesses dentro do partido, Estaline conduziu-se ele mesmo até ao topo, livrando-se de todos os potenciais rivais que encontrava dentro do Partido; primeiro, condenou a maior parte deles como divisionistas e desviacionistas, e mais tarde por mandar executá-los.

Para assegurar a sua posição e empurrar até ao “socialismo num só país”, ele pôs a URSS no caminho de uma colectivização e industrialização estrondosa. Cerca de 25 milhões de camponeses e agrários foram forçados a trabalharem nas quintas do Estado Soviético, para melhor servirem o seu país. A colectivização da Agricultura fez alguns mortos infelizmente, e a produção da agricultura soviética reduziu-se em cerca de 25 por cento, de acordo com algumas estimativas para os primeiros anos.

Nos anos trinta do século XX, Estaline lançou arande purga, livrando o Partido Comunista Soviético de toda a gente que o trouxe ao poder; para purificar ideológicamente o Partido, Estaline prendeu mais de um milhão de membros, e entre 1936 e 1939, meio milhão de militantes e dirigentes partidários morreram por traição à Pátria Socialista Soviética.

Estaline também fez uma limpeza na liderança militar, executando uma larga percentagem de oficiais, para preparar o exército vermelho face à agressão nazi e hitleriana. Mas num esforço para impedir que os povos soviéticos sofressem na guerra contra a Alemanha, Estaline concordou fazer um pacto de não-agressão com o líder alemão adolfo hitler em Agosto de 1939.


Mas mais tarde foi traído, quando as forças nazi-fascistas alemãs invadiram a URSS em 22 de Junho de 1941, e depois de falar ao país duas semanas mais tarde, Estaline tomou o comando das tropas do exército vermelho.

Com a União Soviética inicialmente carregando o fardo da luta anti-fascista durante a guerra, Estaline encontrou-se com os líderes burgueses inglês Wiston Churchill e o americano Franklin Delano Roosevelt em Teerão (1943) e Yalta (1945), e mais tarde com o sucessor de Rooselvet, o presidente americano Harry Truman em Potsdam (1945), dividindo o mundo em duas esferas de influência, por um lado o bloco Socialista, e no outro o imperialismo americano.

Embora a URSS somente se tenha juntado à guerra contra o Japão em 1945, Estaline insistiu também em levar os ventos do socialismo à Ásia; Japão, China, Coreia, Indochina, etc,. E mais tarde tudo fez para assegurar territórios fronteiriços livres da presença americana nas fronteiras orientais da URSS.

E na esteira da derrota fascista alemã, a URSS libertou a Europa Oriental da ocupação da Alemanha nazi, ajudando e protegendo a instalação de Repúblicas Democráticas e Populares nesses países. Ele sempre acreditou que o imperialismo anglo-americano poderia ocupar também esses países, e combater o socialismo triunfante.

Encorajado pela vitória do Partido Comunista da China na Guerra Civil Chinesa e pelo estabelecimento da República Popular da China, Estaline prontificou-se então a ajudar o grande líder revolucionário Coreano Kim Il Sung a derrotar e a libertar A Coreia do imperialismo americano em 1950.

A sua política externa de confrontação com o imperialismo americano e o neo-colonialismo europeu, e o seu punho de aço nos assuntos domésticos contra os inimigos do socialismo, tiveram um impacto tremendo em todo o mundo, muito para além da política soviética, revitalizando a esquerda em todo o mundo, em especial na Europa pois até então os operários europeus estavam prisioneiros da social democracia, mas também permitiu a independência de muitos países do Terceiro Mundo, com o suporte dado aos movimentos de libertação nacionais.

José Estaline, morreu calmamente em Moscovo de causas naturais com a bonita idade de 73 anos, a 5 de Março de 1953.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:GUSTAV KLIMT: ARTE NOVA

Gustav Klimt
O Beijo

Artista austríaco, Gustav Klimt nasceu a 14 de Julho de 1862, em Baumgarten, próximo de Viena, e morreu a 6 de Fevereiro de 1918, em Viena, vítima de apoplexia.
Estudou na Escola de Artes e Ofícios de Viena entre 1876 e 1883. Nesse mesmo ano fundou, juntamente com o irmão Ernst Klimt e com Franz Matsche, um atelier de pintura, especializando-se na execução de murais, pinturas para tectos ou para cenários.
O seu trabalho inicial consistiu essencialmente em grandes murais para teatros, num estilo naturalista, de entre os quais se destacam o tecto do Burgtheater de Viena (1886-1888) e as pinturas da escadaria do Museu de História de Arte, também em Viena (1890-1892). Neste trabalho, Klimt procurou fazer uma síntese da história da arte, pintando cada personagem num estilo diferente, conforme ao período que encarnava. A partir de 1894 executou grandes pinturas alegóricas para o tecto da Sala Magna da Universidade de Viena, enveredando por uma linguagem mais ornamental e linear, próxima dos ideais estéticos do movimento da Arte Nova. Estes trabalhos, "A Filosofia", "A Medicina" e "O Direito", foram tão fortemente criticados pelas correntes mais tradicionalistas, que se abandonou a intenção de os colocar nos locais previstos. Confrontado com esta hostil reacção crítica do público, Klimt retirou-se da vida pública.
Em 1897, Klimt foi um dos membros fundadores do grupo da Secessão de Viena(um movimento de reacção contra o conservadorismo académico burguês), tornando-se seu presidente até 1905, ano em que abandonou o movimento para formar o Grupo Klimt. Nesta altura colaborava no periódico Ver Sacrum, para o qual realizou um conjunto de ilustrações de carácter alegórico.
A partir de 1898, o seu trabalho tornou-se mais original e inovador, ganhando um carácter simultaneamente mais simbólico e decorativo. Em 1902 executa, para a sede da Secessão, um edifício projectado por Olbrich, o Friso de Beethoven, uma grande pintura mural, cuja influência sobre as gerações mais jovens foi considerável. Este friso foi, tal como a 9.ª Sinfonia de Beethoven, realizado em três fases, dividindo-se em "Aspiração à Felicidade", "As Forças Inimigas" e "Hino à Alegria".
Os seus trabalhos mais famosos, datados do último período artístico do pintor, foram O retrato de Fritza Riedler (1906) e os murais e mosaicos realizados para o Palácio Stoclet (1905-1909) em Bruxelas, uma grande casa desenhada pelo arquitecto austríaco Joseph Hoffmann, também ele membro da Secessão Vienense. Nas suas pinturas, Klimt revelou a tendência para eliminar o efeito de profundidade e de volume, transformando as figuras num conjunto de superfícies decorativas, com carácter abstracto, de onde se destacavam os pormenores figurativos das mãos e dos rostos.
Neste período, Klimt colabora com muitos dos artistas dos Wiener Werstätten (ateliers vienenses), fundados em 1902 por Hoffmann, realizando aí inúmeros trabalhos de artes aplicadas.
Apesar de ser contestado no seu país natal até 1917 (ano em que foi eleito membro de honra da Academia de Viena), em 1910 a sua obra foi alvo de uma recepção entusiástica na Bienal de Veneza.
Pintou essencialmente a mulher feminina e fatal, enfatizando a sexualidade, nomeadamente através da representação das senhoras da sociedade de Viena. Os seus quadros compõem-se de mosaicos, cores quentes, motivos florais e animalescos e, claro, de mulheres sensuais de corpos desnudados.
As suas obras pictóricas mais conhecidas são O Beijo, uma pintura a óleo sobre tela datada de 1907-1908, onde o artista pinta um par romântico ornado por uma composição de mosaicos e elementos vegetalistas; e o Abraço, um projecto para a decoração da casa Stoclet, concebido entre 1905 e 1909.
A pintura de Klimt, um dos mais importantes pintores vienenses de inícios do século, teve significativas repercussões na obra de alguns artistas do movimento expressionista, tais como o alemão Egon Schiele e o austríaco Oskar Kokoschka.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:CORRENTE ARTÍSTICA: EXPRESSIONISMO

Expressionismo
O Grito: Edvard Munch

O Expressionismo designa um movimento cultural que se manifestou nos mais diversos campos artísticos como as artes visuais, o teatro, a literatura e o cinema. Nas artes plásticas (pintura, escultura, fotografia) e na arquitectura, esta tendência, de dimensão internacional desenvolveu-se a partir dos finais do século XIX, tendo conhecido uma importante expansão na Alemanha, no contexto de angústia e de agitação social que antecedeu a Primeira Guerra Mundial.
O Expressionismo apresentou-se em oposição tanto ao sentido cientista do Impressionismo como à vocação decorativa da Arte Nova e caracteriza-se pela procura de formas artísticas que exprimissem mais livre e subjectivamente os sentimentos do artista em relação à realidade. Os quadros tornaram-se o retrato intenso de emoções, transmitidas através de cores violentas e de pinceladas vincadas e as esculturas apresentavam formas agressivas, modelações vincadas e texturas rudes.
As primeiras manifestações que se podem considerar precursoras do movimento expressionista datam de meados de 1880. Entre estas contam-se as obras do pintor holandês Vincent Van Gogh, marcante pelo uso intenso dos valores cromáticos e texturais, e do francês Toulouse-Lautrec, nomeadamente pelos temas abordados e pela liberdade e espontaneidade do desenho. Os pintores Edvard Munch, expoente do Expressionismo nórdico, e James Ensor representaram outro momento de afirmação dos fundamentos da estética expressionista, como temas dramáticos e obcessivos e pela violência das fomas e da cor.
Todas estas referências vão cruzar-se no contexto artístico da Alemanha de inícios do século, encontrando eco em artistas que procuram afirmar novos caminhos.
A primeira corrente organizada dentro no interior do movimento expressionista foi o grupo Die Brücke (A Ponte), formado em Dresden em 1905, por Ernst-Ludwig Kirchner, Karl Schmidt-Rottluff, Emil Nolde (1867-1956) e Max Pechstein (1881-1955) entre outros, com objectivo de agregar as várias tendências de vanguarda, rejeitando o academismo, o Impressionismo, o Jugendstil e a Secessão. Procurava, através de uma expressão directa, emotiva e muitas vezes violenta, a representação da realidade social e política desse período.
Mais tarde, em 1912, é formado em Munique o grupo Der Blaue Reiter (O cavaleiro azul) pelos pintores Wassily Kandinsky e Franz Marc, que reúne um vasto número de artistas alemães, suíços e russos, constituindo um novo período de afirmação do Expressionismo, mais ligado às manifestações do inconsciente e à atenção aos valores cromáticos e formais.
A corrente Nova Objectividade (Die Neue Sachlichkeit ) formada no período entre as duas guerras mundiais, num clima de intensos problemas sociais e de desilusão e decadência de determinadas formas da cultura e da civilização ocidental, assumiu a recuperação e o ressurgimento do Expressionismo, após a interrupação ditada pela Primeira Guerra Mundial. Teve com protagonistas os pintores Otto Dix (1891-1969), George Grosz (1893-1959) e Max Beckmann (1884-1950), cujos trabalhos denunciam uma atitude eminentemente satírica e de crítica social.
A expansão internacional do Expressionismo acentua-se precisamente nesta altura, destacando-se os trabalhos de artistas como Oskar Kokoschka (1886-1980) e Arnold Schoenberg (1874-1951) na Áustria, e de Georges Rouault (1871-1958) e Chaïm Soutine (1894-1943), em França.
A pintura expressionista foi uma das principais precursoras do movimento do Expressionismo Abstracto e do Informalismo, surgidos respectivamente nos Estados Unidos da América e na Europa nas décadas de quarenta e cinquenta.
A escultura expressionista foi grandemente impulsionada pela obra do francês Auguste Rodin. De facto, um dos principais representantes deste movimento no campo da escultura foi Antoine Bourdelle (1861-1929), um dos discípulos do mestre francês. Destacam-se ainda alguns trabalhos do americano Jacob Epstein (1880-1959) e do alemão Ernst Barlach (1870-1938), representando geralmente figuras humanas de carácter maciço, às quais imprimem diferentes tipos de distorção e uma modelação livre e intencionalmente imperfeita.

Como referenciar este artigo:
Expressionismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-11-25].

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:EDVARD MUNCH: EXPRESSIONISMO

Edvard Munch foi um importante artista plástico norueguês. É considerado, por muitos estudiosos das artes plásticas, como um dos artistas que iniciaram o expressionismo na Alemanha.
- Edvard Munch nasceu na cidade de Løten (Noruega) em 12 de dezembro de 1863.
- Teve uma vida familiar muito conturbada, pois sua mãe e uma irmã morreram quando Munch ainda era jovem. Uma outra irmã tinha problemas mentais. O pai de Munch tinha uma vida marcada pelo fanatismo religioso. Para complicar, Munch ficou muito doente durante a infância.
- Já adulto, começou a apresentar um quadro psicológico conturbado e conflituoso. Alguns estudiosos afirmam que Munch, provavelmente, possuia transtorno bipolar.
- Munch estudou artes plásticas no Liceu de Artes e Ofícios da cidade de Oslo (capital da Noruega).
- Em 1885, viajou para Paris onde entrou em contato com vários movimentos artísticos. Ficou muito atraído pela arte de Paul Gauguin.
- Entre os anos de 1892 e 1908 viveu na cidade de Berlim (Alemanha).
- Em 1892 participou de uma exposição artística em Berlim. Porém, a mesma foi cancelada em função do grande choque que provocou na sociedade alemã.
- Em 1893, pintou sua obra de arte de maior importância: O Grito. Esta obra tornou-se um dos símbolos do expressionismo.
- Em 1896, começou a fazer gravuras e apresentou várias inovações nesta técnica artística.
- Em 1908, voltou para a Noruega para viver em seu país natal definitivamente.
- No final da década de 1930 e início da década de 1940 passou por uma forte decepção. O governo nazista ordenou a retirada de todas as obras de arte de Munch dos museus da Alemanha por considerá-las esteticamente imperfeitas e por não valorizar a cultura alemã.
- Munch morreu em 23 de janeiro de 1944, na cidade de Ekely (próximo a Oslo).
Estilo artístico
- Abordagem de temas relacionados aos sentimentos e tragédias humanas (angústia, morte, depressão, saudade).
- Pintura de imagens desfiguradas, passando uma sensação de angústia e desespero.
- Forte expressividade no rosto das personagens retratadas.
- Pintura de figuras marcadas por fortes atitudes.
Principais obras de Munch:

- Spring Day on Karl Johan (1891)
- Evening on Karl Johan (1892)
- Melancolia (1892)
- A Voz (1892)
- O Grito (1893)
- Vampira (1893-94)
- Anxiety (1894)
- A Madona (1894-1895)
- Jealousy (1895)
- Puberdade (1895)
- Self-Portrait with Burning Cigarette (1895)
- A menina doente (1895-1896)
- Lady From the Sea (1896)
- A dança da vida (1899-1900)
- A Morte da Mãe (1899-1900)
- Meninas no Jetty (1901)
- Crianças na rua (1907)
- Atração (1908)
- Assassino na Alameda (1919)
- Reunião (1921)
- Entre o Relógio e a Cama (1940-1942)

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:FAUVISMO

O Campo de Marte, de Marc Chagall
Esta corrente, Fauvismo, constituiu a primeira vaga de assalto da arte moderna propriamente dita. Em 1905, em Paris, no Salon d’Automne, ao entrar na sala onde estavam expostas obras de autores pouco conhecidos, Henri Matisse, Georges Rouault, André Derain, Maurice de Vlaminck, entre outros, o crítico Louis de Vauxcelles julgou-se entre as feras (fauves).As telas que se encontravam na sala eram, de facto, estranhas, selvagens: uma exuberância da cor, aplicada aparentemente de forma arbitrária, tornava as obras chocantes. Caracteriza-se pela importância que é dada à cor pura, sendo a linha apenas um marco diferenciador de cada uma das formas apresentadas. A técnica consiste em fazer desaparecer o desenho sob violentos jactos de cor, de luz, de sol.

Características fundamentais

Primado da cor sobre as formas: a cor é vista como um meio de expressão íntimo;Desenvolve-se em grandes manchas de cor que delimitam planos, onde a ilusão da terceira dimensão se perde;A cor aparece pura, sem sombreados, fazendo salientar os contrastes, com pinceladas directas e emotivas;Autonomiza-se do real, pois a arte deve reflectir a verdade inerente, que deve desenvencilhar-se da aparência exterior do objecto;A temática não é relevante, não tendo qualquer conotação social, política ou outra.Os planos de cor estão divididos, no rosto, por uma risca verde. Do lado esquerdo, a face amarela destaca-se mais do fundo vermelho, enquanto que a outra metade, mais rosada, se planifica e retrai para o nível do fundo em cor verde. Paralelos semelhantes podemos ainda encontrar na relação entre o vestido vermelho e as cores utilizadas no fundo.A obra de arte nasce, por isso, autónoma em relação ao objecto que a motivou.dos temas mais característicos do autor, onde sobressaem os padrões decorativos.A linguagem é plana, as cores são alegres, vivas e brilhantes, perfeitamente harmonizadas, não simulando profundidade, em total respeito pela bidimensionalidade da tela.A cor é o elemento dominante de todo o rosto. Esta é aplicada de forma violenta, intuitiva, em pinceladas grossas, empastadas e espontâneas, emprestando ao conjunto uma rudeza e agressividade juvenis.Estudo dos efeitos de diferentes luminosidades, anulando ou distinguindo efeitos de profundidade.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:MATISSE: FAUVISMO


Mulher de Chapéu, de Matisse
Nascido Henri-Émile Benoît Matisse foi um destacado pintor, escultor e artista gráfico francês. Filho de Émile Hippolyte Matisse, um comerciante de grãos e de Anna Heloise Gerard, pintora de porcelanas.Formou-se em Direito, em 1887, mas não exerceu a função pois achava as leis um assunto um tanto entediante. Aos 22 anos, mudou-se para Paris para estudar arte e matriculou-se na Academie Julian, onde foi aluno de William-Adolphe Bouguereau, e depois no ateliê do pintor Gustave Moreau.Em 1894 nasceu sua filha Marguerite, fruto do relacionamento que teve com a modelo Caroline Joblau. Marguerite serviu como modelo para Matisse durante vários anos.Em 1898, aos 28 anos casa-se com Amélie Noellie Parayre que dá grande incentivo à sua vida artística. Desse casamento nascem dois filhos: Jean, em 1899 e Pierre, em 1900.
FauvismoDepois de anos de estudos, de 1900 a 1905 participou da mostra Salão dos Independentes e Salão de Outono, em Paris, e integrou o grupo dos pintores fauvistas que se caracterizava pela simplificação das formas, o uso das cores de forma aleatória e que não correspondiam à realidade, redução do nível de graduação das cores sem nuances, até o uso da cor pura, sem misturas. Predominava temas leves sem intenções críticas, a não ser a da representação. O fauvismo, derivado de "fauve" (animal selvagem) contou também com a participação de outros artistas, entre eles, André Derain, Maurice de Vlaminck, Raoul Dufy, , Henri Manguin, Albert Marquet, Jean Puy e
Emile Othon Friesz.Em sua primeira fase, Matisse assumia claramente influências de , como na obra "Nu no Estúdio" (1898), onde, em pinceladas fortes, especialmente, a figura humana se destacava num fundo difuso. Mas assume também outras influências, como as de e , com a valorização da massa de cor como um elemento representativo da composição, tanto quanto o motivo representado e essa concepção que seria desenvolvida mais tarde, teria grande importância na sua arte. A partir de 1906 até 1912 empreende diversas viagens. Da Argélia volta influenciado pelo uso decorativo da arte islâmica e introduz o decorativismo na sua pintura. Viaja também para o Marrocos. Dessa época, as pinturas "Harmonia em Vermelho" (1908), "A Dança" (1909) e "A Música" (1910), se destacam pelo uso de cores fortes, movimento e linhas, além de florais decorativos.A partir daí passa a ser um artista bastante divulgado e considerado e a influenciar a arte de seu tempo, com um estilo que se caracterizava pelo uso de cores em tonalidades fortes, mas ao mesmo tempo, combatida por uma parcela da burguesia francesa apreciadora de arte, que a consideravam como uma diluição da arte. Matisse cria um estilo simplificado em que o uso da cor chapada, sem nuances, é limitada pelo traço e desaparecem os volumes. Para Matisse, o desenho, a cor e a composição eram uma síntese e nenhum dos três elementos se destacariam, mas formavam um todo.Matisse e desenvolvem, a partir de 1907, uma estreita relação de amizade que duraria até a velhice dos dois, e freqüentemente trocavam quadros entre si. Essa amizade também revelou uma sutil competição entre os dois artistas.
Os "papiers collés"Em 1920 mudou-se para Nice, e passou a pintar quadros de grande riqueza cromática como na série das Odaliscas, em que aparecem mulheres semivestidas com roupas exóticas, em ambientes decorados, com flores. Exemplo disso são as telas "Odaliscas com Magnólias" (1924) e "Duas Odaliscas" (1928). A sensualidade feminina passa a ter grande importância e presença na sua obra.Quando em 1930, o uso da tinta óleo se tornou proibido, por problemas de saúde, começou a trabalhar com recortes de papel, técnica que continuou praticando até o fim da vida. Passa a usar também o carvão, como em "Tete de Femme" (1931). Nessa época, o trabalho de Matisse torna-se cada vez mais arte gráfica, em contraposição a arte plástica. Exemplo disso é a técnica de "papiers collés", como ilustrações do livro Jazz (1947) e a série "Nu bleu" (1952), papel pintado a guache, recortado e colado. Exerceu atividades de desenhista e ilustrador, com destaques para a edição de Poesies de Stephane Mallarme (1932), Ulisses, de (1935) e Les Fleurs du Mal, de (1944), usando a técnica da água-forte, xilografia e litografia.Em 1941 é vítima de câncer e operado passa depender de uma cadeira de rodas para se locomover.Entre 1948 e 1951 dedicou-se à decoração da capela do Rosário em Saint-Paul, perto de Vence, no sul da França. Matisse, concebeu todos os detalhes, dos vitrais ao mobiliário, onde pode desenvolver a sua concepção religiosa das formas, com a presença dos florais em arabescos nos vitais. Ficou tão satisfeito com o resultado desse trabalho que, apesar de tudo o que realizou, passou a considerá-lo como a sua melhor obra.Nesse ano de 1948 é apresentada uma retrospectiva de seu trabalho no Museu da Arte Moderna, de Nova York.A colagem "Tristeza do Rei" (1952) na técnica de "papiers collés" é uma das suas últimas obras. Nela, a figura do rei, em negro com uma viola entre as mãos, seria a tristeza do próprio Matisse, adoentado, preso a uma carreira de rodas, desde 1941 e que viria a falecer em 3 de novembro de 1954, de ataque cardíaco, aos 84 anos de idade.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:PABLO PICASSO: CUBISMO

Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, que depois de consagrado como pintor assinaria só com o apelido materno, nasceu em Málaga no seio de uma família vinculada à pintura. Foi na Corunha que começou os seus estudos de Belas-Artes, mas foi em Barcelona, para onde a famíla se mudou em 1895, que completou a sua formação e iniciou a sua carreira de pintor. Devido à excepcionalidade dos seus dotes artísticos, obteve uma menção honrosa em ciência e caridade (1897).
Após este período, Picasso integra-se na boémia barcelonesa de fim de século, que era então um centro artístico de grande vitalidade. Frequenta a cervejaria de 4 Gats onde conhece todos os artistas catalães dessa época.
Em 1900 viaja pela primeira vez a Paris e em 1901 faz a primeira exposição francesa. Instala-se em 1904 no mítico Bateau-Lavoir de MontMartre. Dividindo a sua obra entre Paris e Barcelona, passa a primeira fase da sua obra, os chamados Períodos Azul e Rosa que se prolongam até 1906.


Les demoiselles d'Avignon: Pablo Picasso


Em 1906, o interesse pela escultura ibérica e pelas máscaras africanas do Museu de Trocadero remete para uma nova alteração das suas obras; é o ponto de viragem para o Cubismo. Este período desenvolve-se entre 1909 e 1914.
No período entre guerras continua a aprofundar o cubismo, através da pintura, da collage e da escultura, regressando eventualmente a uma figuração classicista e mediterrânica. A Guerra Civil Espanhola impõe trouxe uma nova marcação na sua vida e obra.
Em 1937, a viação alemã, aliada dos subelevados, bombardeia a cidade de Guernica, provocando um autêntico massacre da população civil.
Após a 2.ª Guerra Mundial, Picasso instala-se no Sul de França, que visita desde os anos vinte.
Período Azul e Rosa
Entre 1900 e 1906, coincidindo com a sua tomada de contacto com a cena artística francesa, Picasso inicia a primeira fase pessoal da sua carreira artística. O peso de Barcelona arte-novista ainda se nota em alguns quadros de ar decadente e simbolista, muito de acordo com o gosto da época. As figura de porte monumental sobre ssaiem sobre fundos monocromáticos em que predominam o azul e o rosa, que dão nome a estas duas fases.
Não é fácil estabelecer a fronteira entre a época Azul e a Rosa, embora na primeira sejam mais frequentes os temas compassivos e desolados: mendigos, mães em que se adivinha a miséria, velhos decrépitos e tristezas interiores povoam estes quadros nos quais se aprecebe se precebe e inflência de Nonell e El Greco, cuja pintura começa a estar na moda no ínicio do século. Na época Rosa, em contrapartida, são frequentes os feirantes e artistas de circo, aos quais os pintores de Montmartre estavam muito apegados. Pela segunda vez, Picasso, ainda muito jovem mostra que é capaz de evoluir nele com desenvoltura antes de abandoná-lo para dar de novo um salto no vazio.
Cubismo
Em alguns quadros da chamada época rosa Picasso mostrara o seu interesse pela solidez dos volumes. É evidente que por trás desta preocupação está a pintura de Cézanne. Se a isso acrescentarmos o exemplo de representação não imitativa da realidade que pôde contemplar na esculturta ibérica e especialmente nas estatuetas e máscaras africanas expostas no Museu de Trocadero, teremos todos os elementos que determinam a evolução da sua pintura em 1906, que culmina no ano seguinte em As Meninas de Avinhão.
O quadro Tête de femme (ao lado) é também exemplo do período cubista.
O Expressionismo na Guernica
Para os artistas espanhóis residentes em Paris, como Miró ou o próprio Picasso, as décadas de 30 e 40 são uma etapa de emoção contínua devido à guerra civil e Segunda Guerra Mundial.
A aviação alemã bombardeou Guernica em 26 de Abril de 1937, produzindo um verdadeiro massacre entre a população civil. Em 1 de Maio, Picasso recebe as primeiras informações e fotografias, que lhe causam tal impressão que em pouco mais de um mês tem o quadro acabado, depois de inúmeros esboços e estudos prévios.
Uma série de figuras resumem emblematicamente o horror do acontecimento: o touro, o cavalo ferido - que simboliza o povo como vitíma inocente -, o guerreiro decapitado, o grito telúrico da mãe com o filho morto nos braços. Os processos utilizados na composição do espaço são de característica cubista, como o tratamento de muitas das figuras. A renúncia à cor tem também uma função expressiva. Nunca antes desde A Morte de Marat, de David, ou Os Massacres de Quios, de Delacroix, a pintura conseguira semelhante expressão do dramatismo contemporâneo com carácter universal.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:GEORGES BRAQUE

13/5/1882, Argenteuil-sur-Seine, França
31/8/1963, Paris, França
Assim Braque definiu seu trabalho: "Amo a regra que corrige a emoção. Amo a emoção que corrige a regra". Junto com Pablo Picasso, ele inventou o cubismo, revolucionando a pintura.

Georges Braque era filho e neto de pintores. Foi criado em Le Havre e, ali, estudou na École des Beaux-Arts de 1897 a 1899.
Mudou-se para Paris e estudou com um mestre decorador em 1901.

Seu estilo inicial era impressionista. Entre 1902 e 1904, foi aluno da Academie Humbert, também em Paris. Lá, fez amizade com Marie Laurencin e Francis Picabia. Em 1907, depois de alguns meses em Antuérpia, participou de uma exposição do Salão dos Independentes (Paris), apresentando obras mais próximas do fauvismo.

Fez sua primeira exposição individual em 1908. No ano seguinte, trabalhou com Picasso no desenvolvimento do cubismo.


Violin and Candlestick Paris
Em 1911, casou-se com Marcelle Lapré. Em 1912, Braque e Picasso começaram a incorporar em suas pinturas a técnica da colagem. A parceria duraria até 1914, quando estourou a Primeira Guerra Mundial e Braque, convocado, partiu para a frente de batalha. Em 1915, foi ferido em combate.

Após a guerra, a obra de Braque foi adquirindo liberdade, tornando-se menos esquemática. Em 1922, expôs no Salão de Outono (Paris), o que lhe rendeu fama. Fez ainda a cenografia para dois balés de Sergei Diaghilev.

Em 1925, mandou construir uma casa, chamando o arquiteto Auguste Perret (o mesmo do teatro dos Champs-Élysées). No fim da década, sua obra foi ficando mais realista.

Em 1930, comprou casa de campo em Varengeville, na Normandia, onde passou a morar boa parte do tempo, usando seu ateliê de pintura e escultura. Em 1931, elaborou as primeiras gravuras e começou a utilizar motivos mitológicos. Sua pintura tornou-se então mais lírica.

Em 1933, Braque realizou a primeira retrospectiva de peso, num museu da Basiléia (Suíça). Quatro anos depois, ganhou o primeiro prêmio na mostra Carnegie International, em Pittsburgh (EUA).

Durante a Segunda Guerra Mundial, recolheu-se a Varengeville e trabalhou com litogravura, gravura em metal e escultura.

A partir do fim da década de 1940, pintou pássaros, paisagens e marinhas. Em 1954, desenhou os vitrais da igreja de Varengeville e, em 1958, participou da Bienal de Veneza, que lhe dedicou uma sala especial.

Nos últimos anos de vida, mesmo com problemas de saúde, Georges Braque continuou atuante, dedicando-se à pintura, à litografia e à joalheria.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:FUTURISMO

MARINETTI (Filippo Tommaso), escritor italiano (Alexandria, 1876 - Bellagio, 1944), iniciador do movimento futurista, cujo manifesto publicou no jornal parisiense Le Figaro (20 de fevereiro de 1909).

Esta corrente nasceu em Itália e foi um movimento que se manifestou primeiramente na literatura para, mais tarde, se estender às artes plásticas, à arquitectura, à música, ao cinema, etc. O seu surgimento, datado de 1909, foi marcado pelo Manifesto Futurista do poeta Filippo Marinetti. Nesse texto, o autor apresentava como pontos fundamentais a recusa da harmonia e do bom gosto, do geometrismo intelectual dos cubistas, bem como do sensualismo cromático dos fauvistas, propondo uma nova poética que combatia qualquer forma ligada à tradição e fazia a exaltação da civilização industrial com tudo o que ela comportava – o movimento da máquina e da velocidade -, fazendo uma total assunção da sociedade moderna e industrial.

«Os elementos essenciais da nossa poesia serão o valor, a ousadia e a rebelião. Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um automóvel de corridas é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.»
Marinetti, Primeiro Manifesto Futurista, 1909

Características fundamentais

Apologia da máquina, da velocidade, da luz e da própria sensação dinâmica;
Libertação e exaltação das energias;
Exaltação do presente, da velocidade e das formas dinâmicas produzidas pela civilização, reflectindo a vida moderna;
Alternância de planos e sobreposição de imagens, ora fundidas, ora encadeadas, para dar a noção de velocidade e dinamismo;
Arabescos contorcidos, linhas circulares emaranhadas, espirais e elipses;
Geometrização dos planos em ângulo agudo, mais dinâmico, abolindo totalmente os ângulos rectos cubistas na organização espacial, permitindo a sugestão da fragmentação da luz;
Cores muito contrastadas, em composições violentas e chocantes.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:Umberto Boccioni: Futurismo

Auto Retrato

Pintor e escultor italiano nascido no dia 19 de Outubro de 1882, em Reggio di Calabria, e falecido no dia 16 de Agosto de 1916, em Sorte (Verona), em consequência de uma queda de cavalo durante manobras militares. Foi um dos representantes máximos do movimento futurista que defendia o progresso acidental, a máquina e o estilo de vida ruidoso e agitado da vida urbana. Em 1901 mudou-se para Roma para estudar acabando por fazer amizade com outros pintores pertencentes a este movimento. No início, mostrou-se interessado na pintura impressionista, principalmente na obra de Cézanne. Fez então algumas viagens a Paris, São Petersburgo e Milão. Regressando em 1910 entrou em contacto com Carrá, Russolo y Marinetti e um ano depois encontrava-se entre os autores do "Manifesto Futurista de Pintura", do qual foi um dos principais teóricos. Foi com a intenção de procurar as bases dessa nova estética que viajou para Paris, onde se encontrou com Picasso e Braque. Ao retornar, em 1912, publicou o "Manifesto Técnico da Pintura Futurista", no qual foram registados os princípios teóricos da arte futurista: condenação do passado, desprezo pela representação naturalista, indiferença em relação aos críticos de arte e rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados à pintura. Nesse mesmo ano participou da primeira exposição futurista mas as suas obras ainda deixavam transparecer a preocupação do artista com os conceitos propostos pelo cubismo.

A rua entra na casa
Os retratos deformados pelas sobreposições de planos ainda não conseguiam expressar com clareza a sua concepção teórica. Um ano mais tarde, com sua obra Dinamismo de um Jogador de Futebol, Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação do movimento por meio de cores e planos desordenados, como num pseudofotograma.
Em 1911 inicia a sua actividade como escultor com obras menos numerosas que as suas pinturas mas mais livres e atrevidas e onde sempre afloram elementos neo-impressionistas, assim como por outro lado consegue um intercâmbio surpreendente entre o côncavo e o convexo, superando as experiências cubistas. Nas suas obras escultóricas, que combinam madeira, ferro e cristal, Boccioni pretende ilustrar a interacção que se estabelece entre um objecto em movimento e o espaço que o rodeia.
Apesar de tudo, permaneceu sempre muito ligado a uma concepção romântica e tradicional do movimento e do quadro como janela. Em 1915 participou como voluntário na Primeira Guerra Mundial, e é nesta altura que começa a distanciar-se do futurismo, isto é, da velocidade e do dinamismo, aproximando-se de uma análise das imagens plásticas, isto é, dos volumes arredondados e mais estáticos, influenciado por Cézanne.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:GIACOMO BALLA: FUTURISMO

Velocidade do automóvel (1913 )
A TÉCNICA DA REPETIÇÃO
Vida
Giacomo Balla nasceu em Turim, na Itália, em 1871. Em 1910 declarou publicamente sua filiação ao movimento futurista do qual se afastou em 1931. Morre no ano de 1958, em Itália.


Obra:
-O pintor italiano durante a sua obra tentou endeusar os novos avanços científicos e técnicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas, sem chegar a uma total abstracção. Mesmo assim, mostrou grande preocupação com o dinamismo das formas, com a situação da luz e a integração do espectro cromático. A sua formação académica restringiu-se a um curso nocturno de desenho, de dois meses de duração, na Academia Albertina de Turim, sua cidade natal. Em 1895 o pintor mudou-se para Roma, onde apresentou regularmente suas primeiras obras em todas as exposições da Sociedade dos Amadores e Cultores das Belas-Artes.Cinco anos mais tarde, fez uma viagem a Paris, onde entrou em contacto com a obra dos impressionistas e neo-impressionistas e participou em várias exposições. Na volta a Roma, conheceu Marinetti, Boccioni e Severini. Um ano mais tarde, junta-se a eles para assinar o Manifesto Técnico da Pintura Futurista.Preocupado, como seus companheiros, em encontrar uma maneira de visualizar as teorias do movimento, apresentou em 1912 seu primeiro quadro futurista intitulado Cão na Coleira ou Cão Atrelado.Dissolvido o movimento, Balla retornou às suas pinturas realistas e voltou-se para a escultura e a cenografia. Embora em princípio Balla continuasse influenciado pelos divisionistas, não demorou a encontrar uma maneira de se ajustar à nova linguagem do movimento a que pertencia. Um recurso dos mais originais que ele usou para representar o dinamismo foi a simultaneidade, ou desintegração das formas, numa repetição quase infinita, que permitia ao observador captar de uma só vez todas as sequências do movimento.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:ABSTRACIONISMO

Primeira aquarela abstrata, do pintor russo Wassili Kandinsky, de 1910, é uma obra inaugural.

Rompendo com a arte acadêmica
Segundo os dicionários, arte abstrata é aquela que procura transmitir a qualidade ou propriedade de uma coisa, sem representá-la sob uma forma definida. Ou seja, é uma forma de arte que não representa objetos ou figuras concretas, próprias da nossa realidade.
Quando a significação de um quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a obra à realidade visível, aquela passa a ser chamada de abstrata.
O abstracionismo surgiu a partir das experiências das vanguardas européias, que procuravam romper com o rigor formal da arte acadêmica, no início do século 20. O cubismo foi, muitas vezes, denominado como arte abstrata porque, ainda que suas obras fossem representativas e figurativas, buscavam sintetizar os elementos da realidade natural, fugiam da simples imitação daquilo que era "concreto".

O russo Wassili Kandinsky (1866 - 1944) pode ser considerado um dos pioneiros na realização de pinturas não-figurativas.


Fases
Existem várias fases na arte abstrata:

•Abstracionismo sensível ou informal: nessa fase, juntamente com Kandinsky, podemos citar o nome de Franz Marc (1880-1916). As cores e as formas são a expressão maior desse período.

•Tachismo: manchas colocadas dentro de certo limite (o braço do artista, por exemplo).

•Grafismo: todo abstracionismo formado por conjunto de signos gráficos (linhas, curvas, traços, pinceladas, etc.).

•Orfismo: ligado à música. Tem como principal artista Sonia Delaunay.

•Raionismo: raios estanques e riscos com luminosidade.

•Abstracionismo geométrico ou formal: as formas e cores são organizadas de forma a resultar na expressão de uma concepção geométrica. Essa fase possui duas subdivisões: 1) Neoplasticismo (principal artista: Piet Mondrian, 1872-1944); e 2) Suprematismo (principal artista: Kazimir Malevitch, 1878-1935).

•Action Paiting ou pintura de ação gestual: criada por Jackson Pollock (1912-1956) nos anos de 1947 a 1950. Tem como características: a compreensão da pintura como meio de emoções intensas, a execução agressiva e espontânea, sem utilização dos meios tradicionais, como pincéis, espátulas, etc. É a pintura direta na parede, no chão ou em telas enormes.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:WASSILI KANDINSKY: ABSTRACIONISMO

Fuga, Kandinsky, 1914, óleo sobre tela

04/12/1866, Moscou
13/12/1944, Neuilly-sur-Seine, França
Kandinsky foi um dos principais representantes da arte abstrata. Nascido em Moscou, passou parte da infância em Odessa. Entre 1886 e 1892 estudou economia e direito na Universidade de Moscou, onde lecionou após a graduação.

Aos 30 anos decidiu estudar arte em Munique, na Alemanha, onde foi aluno de Franz von Stuck. Passou cerca de quatro anos em outros países e, em 1909, tornou-se presidente da Nova Associação de Artistas de Munique.

Na década de 1910 desenvolveu seus primeiros estudos não-figurativos, inaugurando a pintura abstrata. Junto a Piet Mondrian e Kasimir Malevich, faz parte do "trio sagrado" da abstração, sendo ele o mais famoso.

Para proporcionar uma nova base intelectual para a arte, fundou em Munique, em 1911, com Franz Marc, Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), uma associação de artistas que proclamavam, no manifesto "Do Espiritual na Arte" (1912), a superioridade do espírito sobre os objetos concretos.

Quando do advento da Revolução Russa, Kandinsky voltou a sua cidade natal, onde ocupou uma cátedra na Academia de Arte de Moscou. Desentendeu-se, no entanto, com as teorias da arte oficiais e regressou à Alemanha em 1921, quando iniciou um processo de geometrização em suas obras.

Passou a lecionar na famosa escola Bauhaus, em Weimar, a convite de Walter Gropius. Em 1928 adquiriu a nacionalidade alemã. Em 1933, a escola foi fechada pelo governo nazista. Kandinsky mudou-se em seguida para Paris, na França, onde viveu até o final de sua vida.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:PIETER MONDRIAN: ABSTRACIONISMO

Composição com vermelho, amarelo e azul, ano de 1921, óleo sobre tela, coleção Haags Gemeentemuseum, Haia.

Pieter Cornelis Mondrian, nasceu em Amersfoort na Holanda e entrou para a carreira artística apesar de todas as objeções da sua família. Estudou na Academia de Belas Artes de Amsterdão de 1892 a 1895 e depois começou a pintar. Os primeiros trabalhos de Mondrian, na sua grande maioria, eram pinturas de calmas paisagens em tons de suaves cinzentos, cor de malva e verdes escuros. Por volta de 1908, sob a influência do pintor holandês Jan Toorop, começou a experimentar cores mais brilhantes no intuito de transcender a natureza, criando uma série de pinturas de árvores e flores
nas quais desenvolveu um estilo cada vez mais abstrato.
Mudou-se para Paris em 1912, e foi então que Mondrian tomou contato com pintores cubistas, rendendo-se às suas idéias e mudando progressivamente de seminaturalista para a crescente abstração. Mondrian encontrou novos caminhos. Durante a primeira guerra mundial, Piet pintou na Holanda, e ajudou a fundar uma revista de artes De Stijl, que influenciou a pintura, o design e a arquitetura européia.

O princípio do século XX ficou marcado pela tentativa de representar a realidade das maneiras mais abstratas, onde a pintura é um exemplo por excelência desse novo olhar. O pintor holandês levou a abstração até ao máximo dos seus limites.

Muitos foram os artistas que deram novas representações ao real, mas Mondrian foi para além deles. Ele começou a formular as suas próprias teorias estéticas. Ao seu estilo e princípios artísticos chamou de Neoplasticismo.

Nas suas últimas composições, Mondrian evitou qualquer sugestão de reprodução do mundo material, usando linhas pretas verticais e horizontais que delimitam blocos de puro branco, vermelho, amarelo ou azul. Mondrian exprimiu uma concepção, que revelou ser um expoente elevado de harmonia e de beleza.

Foi esta procura constante da harmonia e da beleza que levou Piet Mondrian a encontrar a matemática. Mondrian descobriu o famoso número de ouro e com ele chegou ao retângulo de ouro. Partilhou com Da Vinci a idéia de que a arte deveria ser sinônimo de beleza e movimento contínuo, por isso ambos utilizaram o retângulo de ouro. A razão de ouro exprime movimento, pois mantém-se em espiral até ao infinito, e o retângulo de ouro exprime a beleza, pois é uma forma geométrica agradável à vista. Assim, o retângulo de ouro passou a ser presença constante em suas pinturas.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:DADAÍSMO

Movimento artístico e literário com um pendor niilista, que surgiu por volta de 1916, em Zurique, acabando por se espalhar por vários países europeus e também pelos Estados Unidos da América. Embora se aponte 1916 como o ano em que o romeno Tristan Tzara, o alsaciano Hans Arp e os alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck seguiram novas orientações artísticas e 1924 como o final desse caminho, a verdade é que há uma discrepância de datas respeitantes, quer ao início, quer ao final deste movimento, ou como preferem os seus fundadores, desta «forma de espírito» («Manifesto Dada», in Dada-Antologia Bilingue de Textos Teóricos e Poemas, 1983).

O movimento Dada (os seus fundadores recusam o termo Dadaísmo já que o ismo aponta para um movimento organizado que não é o seu) surge durante e como reacção à I Guerra Mundial. Os seus alicerces são os da repugnância por uma civilização que atraiçoou os homens em nome dos símbolos vazios e decadentes. Este desespero faz com que o grande objectivo dos dadaístas seja fazer tábua rasa de toda a cultura já existente, especialmente da burguesa, substituindo-a pela loucura consciente, ignorando o sistema racional que empurrou o homem para a guerra. Dada reivindica liberdade total e individual, é anti-regras e ideias, não reconhecendo a validade, nem do subjectivismo, nem da própria linguagem. O seu nome é disso mesmo um exemplo: Dada, que Tzara diz ter encontrado ao acaso num dicionário, ainda segundo o mesmo Tzara, não significa nada, mas ao não significar nada, significa tudo. Este tipo de posições paradoxais e contraditórias são outra das características deste movimento que reclama não ter história, tradição ou método. A sua única lei é uma espécie de anarquia sentimental e intelectual que pretende atingir os dogmas da razão. Cada um dos seus gestos é um acto de polémica, de ironia mordaz, de inconformismo. É necessário ofender e subverter a sociedade. Essa subversão tem dois meios: o primeiro os próprios textos, que embora sejam concebidos como forma de intervenção directa, são publicados nas numerosas revistas do movimento como Der Dada, Die Pleite, Der Gegner ou Der blutige Ernst, entre muitas outras. O segundo, o famoso Cabaret Voltaire, em Zurique, cujas sessões são consideradas escandalosas pela sociedade da época verificando-se frequentes insultos, agressões e intervenções policiais.

Não é fácil definir Dada. Os próprios dadaístas para isso contribuem: as afirmações contraditórias não permitem um consenso já que, enquanto consideram que definir Dada era anti-Dada, tentam constantemente fazê-lo. No primeiro manifesto, por ele próprio intitulado dadaísta, Tristan Tzara afirma, que «Ser contra este manifesto significa ser dadaísta!» («Manifesto Dada», in Dada-Antologia Bilingue de Textos Teóricos e Poemas, 1983) o que confirma a arbitrariedade e a inexistência de cânones e regras neste movimento. Tentam mesmo dissuadir os críticos de o definir: Jean Arp, artista plástico francês ligado ao movimento de Zurique, ridiculariza a metodologia crítica escrevendo, que não era, nem nunca seria credível qualquer história deste movimento já que, para ele não eram importantes as datas, mas sim o espírito que já existia antes do próprio nome; além disso Tzara afirma ser «contra sistemas. O sistema mais aceitável é, por princípio, não ter nenhum.» (Dada and Surrealism,1972). São conscientemente subversivos: ridicularizam o gosto convencional e tentam deliberadamente desmantelar as artes para descobrir em que momento a criatividade e a vitalidade começam a divergir. Desde o início que é destrutivo e construtivo, frívolo e sério, artístico e anti-artístico.

Embora se tenha espalhado por quase toda a Europa, o movimento Dada tem os núcleos mais importantes em Zurique, Berlim, Colónia e Hanôver. Todos eles defendem a abolição dos critérios estéticos, a destruição da cultura burguesa e da subjectividade expressionista reconhecendo, como caminhos a seguir, a dessacralização da arte e a necessidade do artista ser uma criatura do seu tempo, no entanto, há uma evolução diferenciada nestes quatro núcleos. O núcleo de Zurique, o mais importante durante a guerra, é muito experimentalista e provocatório, embora mais ou menos restrito ao círculo do Cabaret Voltaire. É aqui que surgem duas das mais importantes inovações dadaístas: o poema simultâneo e o poema fonético. O poema simultâneo consiste na recitação simultânea do mesmo poema em várias línguas; o poema fonético, desenvolvido por Ball, é composto unicamente por sons, com predominância de sons vocálicos. Nesta última composição a semântica é completamente posta de parte: já que o mundo não faz sentido para os dadaístas, a linguagem também não terá de fazer. Ball considera ser esta uma época onde « Um universo desmorona-se. Uma cultura milenar desmorona-se.» («A Arte dos Nossos Dias», in Dada-Antologia Bilingue de Textos e Poemas, 1983). Estes tipos de composições, juntamente com o poema visual, também assente em princípios simultaneístas, e a colagem, primeiro utilizada nas artes plásticas, são as grandes inovações formais deste movimento. O grupo de Berlim, mais activo depois da guerra, está profundamente ligado às condições socio-políticas da época. Ao contrário do anterior realiza intervenções politizantes, próximas da extrema esquerda, do anarquismo e da “Proletkult” (cultura do proletariado). Apesar de tudo, os próprios dadaístas têm consciência que são demasiado anarcas para aderir a um partido político e que a responsabilidade pública que daí advinha era inconciliável com o espírito dadaísta. Colónia e Hanover são menos significativos, sendo no entanto de salientar o desenvolvimento da técnica da colagem no primeiro e a inovadora utilização de materiais casuais e subalternos, como jornais e bilhetes de autocarro, na pintura do segundo.

Estes autores destacam-se da sociedade em que estão inseridos pela revolta, pelos valores expressos nas suas obras, pelas convicções que defendem e pelas contradições que apresentam, muitas vezes exemplo da vitalidade e humor dos criadores.

Dada tornou-se muito popular em Paris, para onde Tzara vai viver depois da guerra. Na capital francesa, ao contrário de Berlim e Nova Iorque, o movimento Dada desenvolve-se bastante no campo literário. Esta ligação foi muito importante para a génese do surrealismo que acaba por absorver o movimento no início da década de vinte. As fronteiras entre os dois movimentos são ténues, embora se oponham: o surrealismo mergulha as suas raízes no simbolismo, enquanto Dada se aproxima mais do romantismo; o primeiro é nitidamente politizado, enquanto o segundo é, na generalidade apolítico (com excepção do grupo de Berlim, como já foi referido). É também possível encontrar vestígios dadaístas na poesia de Ezra Pound e T. S. Elliot e na arte de Ernst e Magritte.

SOCIEDADE E CULTURA NUM MUNDO EM MUDANÇA:SURREALISMO

Marcel Duchamp - "L.H.O.O.Q."


Artista francês, Marcel Duchamp nasceu em Blainville, França, a 28 de julho de 1887, e morreu em Nova York, EUA, em 2 de outubro de 1968. Irmão do pintor Jacques Villon (Gastón Duchamp) e do escultor Raymond Duchamp-Villon. Freqüentou em Paris a Academie Julian, onde pinta quadros impressionistas, segundo ele, "só para ver como eles faziam isso".

Em 1911-1912 suas obras "O rei e a rainha cercados de nus" e "Nu descendo uma escada" estão na confluência entre o Cubismo e o Futurismo. São quadros simultaneistas, análises do espaço e do movimento. Mas já se destacam pelos títulos, que Duchamp pretende incorporar ao espaço mental da obra.

Entre 1913-1915 elabora os "ready-made", isto é, objetos encontrados já prontos, às vezes acrescentando detalhes, outras vezes atribuindo-lhes títulos arbitrários. O caso mais célebre é o de "Fonte", urinol de louça enviado a uma exposição em Nova York e recusado pelo comitê de seleção. Os títulos são sugestivos ou irônicos, como "Um ruído secreto" ou "Farmácia". Detalhe acrescentado em um "ready-made" célebre: uma reprodução da Gioconda, de Leonardo da Vinci, com barbicha e bigodes.

Segundo o crítico e historiador de arte Giulio Carlo Argan, os "'ready-mades' podem ser lidos como gesto gratuito, como ato de protesto dessacralizante contra o conceito 'sacro' da 'obra de arte', mas também como vontade de aceitar na esfera da arte qualquer objeto 'finito', desde que seja designado como 'arte' pelo artista".

Esses "ready-mades" escondem, na verdade, uma crítica agressiva contra a noção comum de obra de arte. Com os títulos literários, Duchamp rebelou-se contra a "arte da retina", cujos significados eram só, segundo ele, impressões visuais. Duchamp declarou preferir ser influenciado pelos escritores (Mallarmé, Laforgue, Raymond Roussel) - e não pretendia criar objetos belos ou interessantes. A crítica da obra de arte se estendia à antítese bom gosto-mau gosto.

Entre 1915 e 1923 o artista dedicou-se à sua obra principal, "O grande vidro", pintura a óleo sobre uma placa de vidro duplo dividido em duas seções. A parte superior chamou de "A noiva desnudada pelos seus celibatários, mesmo"; e a inferior, "Moinho de chocolate". Toda a obra é um pseudomaquinismo: a "noiva" é um aparato mecânico, assim como os "celibatários". Contendo vários níveis de significação, várias hipóteses foram formuladas pela crítica para descobrir o sentido de sua complicada mitologia.

Para Giulio Carlo Argan, "O grande vidro" foi desenvolvido "em torno de significados erótico-místicos, joga com a transparência do espaço, com o significado alquímico e simbólico, com o conceito de 'andrógino', inato em todos os indivíduos".


Coincidir arte e vida
Após "O grande vidro", Duchamp dedicou-se aos mecanismos ópticos - que chamou de "rotorrelevos". Em 1941 executa uma "caixa-maleta", contendo modelos reduzidos de suas obras, e, em 1943, a "Caixa verde", contendo fotos, desenhos, cálculos e notas.

A partir de 1957 vive em Nova York, dedicando-se à sua paixão pelo jogo de xadrez. Seu silêncio parece uma redução da capacidade inventiva, mas após sua morte descobre-se que o artista estivera trabalhando secretamente na construção de um "ambiente": um quarto fechado onde repousa uma figura em cera, cercada de vegetações. O ambiente só pode ser visto, por determinação do artista, por um orifício da porta.

A obra de Duchamp, reduzidíssima, foi menos obra do que uma atitude, um gesto crítico radical, mas em muitas declarações o artista recusou-se a ser visto como um destruidor. A atitude crítica de Duchamp ainda repercute, tantos anos depois de suas criações radicais.

Na opinião de Giulio Carlo Argan, "talvez a obra de Duchamp alquímica por excelência seja toda a sua vida, que serve de modelo para todas as novas vanguardas do segundo pós-guerra, do 'New Dada' às experiências de recuperação do corpo como expressão artística, na intenção de fazer coincidir arte e vida".